“PRODUÇÃO DE CARNE CAPRINA: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS”
Silvio Doria de Almeida Ribeiro
Anamaria Cândido Ribeiro
1.
Introdução
Muito se tem falado sobre a
caprinocultura de corte nacional, particularmente sobre o seu futuro, pois de
seu passado todos reconhecem a importância social, embora raras vezes seja
levantado um exemplo de um empreendimento de sucesso. Com a expansão da raça
Boer, o interesse pela caprinocultura de corte tomou proporção jamais vista na
caprinocultura de corte mundial e esse efeito pode ser claramente percebido no
Brasil. Porém esse boom esteve em
primeiro momento muito mais associado à venda de animais puros para reprodução
do que à produção de carne propriamente dita. Embora essa visão seja a
predominante, a cada dia evidencia-se que, para o desenvolvimento sustentável
da atividade, muitos outros elementos devem ser adicionados à equação. Fica
claro que a atividade só irá prosperar se evoluir como um todo, com os diversos
elos da cadeia produtiva participando do processo e ser tratada como um
agronegócio, ou seja, com profissionalismo e uma visão empresarial.
2.
Situação atual da
caprinocultura do Brasil e no mundo
Segundo a FAO (2001), o rebanho mundial de caprinos em 2000 era de 715.297.550 cabeças, das quais 96% estão em países em desenvolvimento, com apenas 4% nos países desenvolvidos. Há 40 anos atrás o efetivo caprino dos países desenvolvidos era de 31,7 milhões de cabeças, sendo atualmente de 29,1 milhões, o que representa um decréscimo de 9%, enquanto nos países em desenvolvimento esse número era de 315,9 milhões em 1961 e de 686,2 milhões em 2000, mostrando um aumento de 117%.
Atualmente a China é o maior
rebanho mundial, com 148,4 milhões de cabeças, o que representa 20% do efetivo
mundial. Em seguida vêm a Índia e o Paquistão. O Brasil fica na décima
colocação, com um rebanho de 12.600.000 cabeças, cerca de 2% do rebanho
mundial.
Com relação à distribuição
do efetivo caprino brasileiro, pelos dados do IBGE (2001), referentes ao censo
agropecuário de 1996, o quadro apresenta um padrão idêntico ao mundial.
Considerando-se as regiões Sul e Sudeste como desenvolvidas e Norte,
Centro-Oeste e Nordeste com o em desenvolvimento, 4% dos caprinos estão no
primeiro grupo e 96% no segundo.
Vale ressaltar que 94% do
rebanho nacional está na região Nordeste, onde prevalecem condições
edafo-climáticas desfavoráveis. Nessa situação os caprinos assumem uma grande
importância social, pois chegam a ser a única fonte de renda em determinadas
circunstâncias e deles depende a sobrevivência de muitos nordestinos. Porém,
talvez até mesmo associado a esse papel, o mesmo no Nordeste raras vezes a
caprinocultura é vista como uma atividade de empresarial e é freqüentemente
considerada uma atividade marginal, e não uma atividade de grande potencial
econômico.
O próprio nordestino,
criador de “bode”, evidencia claramente o seu procedimento associando uma
imagem de maior status ao criador de
boi, renegando a espécie que de fato o sustenta.
Nas demais regiões do país,
onde o efetivo é muito maior, muitos assimilaram de maneira distorcida o
conceito de “rusticidade” dos caprinos, imaginando que, se no Nordeste, onde as
condições são precárias, se produz “bode”, os resultados obtidos em condições
mais “favoráveis” seriam muito melhores. A realidade não é bem essa, e sob
certos aspectos é mais difícil criar caprinos nas tais condições “favoráveis”.
3.
Os novos cenários
Alguns conceitos vêm transformando radicalmente as atividades pecuárias de interesse econômico. Embora não se esquecendo do papel social da caprinocultura, essa nova realidade deve ser absorvida também por essa atividade. Deve-se enfocar:
- o “agronegócio da
caprinocultura”, onde o objetivo não é produzir mais cabritos ou kg de carne
por área ou por matriz: o objetivo é produzir mais lucro para o empresário.
Logicamente, certos conceitos complementares não devem ser esquecidos, como
sustentabilidade do investimento e a utilização de práticas ecologicamente
adequadas. Diz respeito ao tratamento de uma atividade agropecuária como um
negócio; e
- a “cadeia produtiva da
caprinocultura”, onde deve estar clara a idéia de que ninguém está sozinho na
atividade. No assunto em questão, a produção de caprinos envolve desde os
fornecedores de insumos até o consumidor final, passando pelos serviços de
extensão e pesquisa, abatedouros, açougues, supermercados, restaurantes,
curtumes, indústria calçadista e de vestuário, entre tantos outros elementos
que poderiam aqui ser mencionados.
No meio de tudo isso está o
caprinocultor. Ele tem sido o foco das maiores atenções, mas o segmento menos
organizado, que menos tem evoluído, que menos tem se tecnificado, e em
conseqüência disso, o segmento que paga as contas. Acaba por sustentar os elos
precedentes e posteriores da dita “cadeia produtiva”. A partir do momento que
ele se conscientizar de que desenvolve um agronegócio, vai se preocupar com seu
desenvolvimento econômico de uma forma mais abrangente, vai entender a
importância da utilização de tecnologia mais adequada, e perceber que ao se
reunir em associações e cooperativas ele beneficia o seu vizinho, mas que
também é beneficiado com isso. Vai, então, visualizar com mais clareza que o
sucesso de seus fornecedores depende do seu sucesso, e que ele também é
responsável pelo sucesso do segmento para o qual fornece seu produto. Então
entenderá que todos têm que participar da discussão do futuro da atividade. Se
cada segmento der o seu quinhão de colaboração, todos se beneficiarão e a
atividade poderá, de fato, prosperar.
Um dado importante e que
deve ser a base de todo esse processo, é o mercado efetivo e o potencial, e o
que vem acontecendo com ele. Se observado o que vem acontecendo no Brasil nos
últimos 40 anos, o quadro é desanimador: o consumo de carne é rigorosamente o
mesmo nas últimas 4 décadas. Se, por outro lado, for avaliado o mercado
potencial, e comparando-se o histórico de outras carnes, algumas simulações
feitas para a Região Sudeste indicam que, para alcançar o consumo médio mundial
per capita de carne caprina, o
rebanho dessa região deveria se multiplicar 40 vezes. Se consideradas as
perspectivas do mercado mundial, em especial dos países árabes, que já por mais
de uma vez fizeram sondagens da possibilidade de exportação do Brasil,
evidencia-se um mercado potencial muito promissor.
4.
Sistemas de Criação
Classicamente, existem três sistemas básicos de criação: intensivo, semi-intensivo e extensivo. Esses conceitos estão associados ao nível de tecnologia e produtividade, bastante elevada no primeiro, e precário ou quase inexistente no último. Portanto, a criação em pastejo rotacionado pode ser considerado um sistema intensivo, assim como a utilização racional da caatinga pode ser considerado semi-intensivo, da mesma forma que uma pastagem artificial utilizada sem uma manejo adequado pode ser considerada um sistema extensivo.
Qualquer sistema de criação
deve considerar uma série de áreas de atuação. Todos os itens estão
interligados e os resultados só serão satisfatórios se a atuação ocorrer em
todos os segmentos, de forma contínua, organizada e coordenada, com o nível de
esforço necessário e compatível com cada setor. Principalmente, é fundamental o
conceito de adequação ao sistema de produção, ou seja, o que funciona em uma
situação não apresentará necessariamente os mesmos resultados em um sistema com
características diferentes.
4.1.
Nutrição
Com relação à nutrição, o principal objetivo deve ser o de maximizar as potencialidades de cada região, aproveitando da melhor forma possível o que ela pode oferecer. Portanto, em regiões de terras férteis e clima favorável, deve-se considerar a utilização intensiva de insumos, buscando-se alta produtividade. Em regiões menos privilegiadas, deve-se buscar otimizar o seu potencial de produção sustentável, ou seja, o quanto é possível produzir, com investimentos passíveis de retorno, e de forma sustentável, sem degradar a vegetação existente e sem prejudicar o ambiente. Portanto, em algumas regiões haverá alimento suficiente para lotações de até 50 cabras por hectare e com animais prontos para o abate aos 4 meses de idade ou até menos. Em outras regiões, a lotação será medida em hectares por animal e o abate será muito mais tardio, pois caso se utilize uma lotação muito elevada, os alimentos disponíveis simplesmente se extinguirão em pouco tempo. Uma situação não é necessariamente melhor do que a outra. É, sim, mais ou menos adequada a cada realidade. A identificação da potencialidade de cada região deverá determinar as opções alimentares mais adequadas.
4.2.
Instalações
Com relação às instalações, deve-se, inicialmente, definir com clareza quais as suas finalidades: deve proteger os animais das intempéries climáticas e de predadores, dando-lhes maior bem estar, favorecer a rotina de trabalho e as práticas de manejo pertinentes. Deve ser muito bem planejada, pois sua vida útil é longa, normalmente superior a 10 anos, não raro chegando aos 30 anos. Um erro de concepção pode implicar em dificuldades operacionais que teriam sido evitadas com um pouco mais de cuidado e atenção. Além disso, esse é um investimento realizado na fase de implantação do projeto, quando normalmente o fluxo de entradas ainda não se estabeleceu, e implica em um elevado montante de recursos financeiros. Portanto, pode acarretar um impacto nos custos variáveis, uma vez que pode influenciar no desempenho dos animais e da mão-de-obra.
Outro aspecto a considerar
são as particularidades de cada região, tanto no que diz respeito aos fatores
climáticos, quanto no que diz respeito aos materiais disponíveis. Certamente as
instalações utilizadas no Sertão de Pernambuco serão diferentes das necessárias
para a Zona da Mata Mineira ou do Brejo Paraibano.
Com relação ao nível de
investimento, mais do que nunca se deve considerar sua relação benefício:custo,
logicamente atrelado à disponibilidade de recursos. Ainda, vale ressaltar que
as instalações não melhoram ao longo do tempo. Muito pelo contrário, pioram, se
desgastam, se deterioram, sendo algo complexo e oneroso sua recuperação ou
melhoria, diferente do que pode ser feito com os demais itens.
4.3.
Sanidade
A sanidade do rebanho deve ser considerada em vários aspectos e momentos. No início da atividade, a preocupação deve ser definir com bastante clareza os cuidados a serem tomados, para começar com o rebanho "limpo". Esse é o melhor momento, talvez o único, para evitar a entrada de importantes problemas sanitários no rebanho. A idéia de que no início da atividade não há necessidade de se preocupar muito com esse aspecto, que depois que as coisas tiverem mais organizadas é possível “limpar” o rebanho, é totalmente equivocada. Ainda nesse contexto, sempre que possível é conveniente a utilização de rebanho “fechado”, ou seja, rebanhos onde, após a aquisição inicial de animais, só sai, entrando apenas animais utilizados para o melhoramento genético do rebanho. Nessa situação, minimiza-se o risco de entrada de novas doenças no rebanho.
Além das doenças, deve-se
preocupar com caracteres indesejáveis no rebanho. É o caso da politetia, por
exemplo. É uma característica hereditária que, uma vez introduzida,
dificilmente será erradicada. Outro aspecto diz respeito aos chifres: se a
opção for por trabalhar com animais mochos ou descornados, a presença de alguns
animais chifrudos poderá vir a ser um transtorno. Além disso, ao se utilizar
fêmeas mochas deve haver um cuidado especial na escolha dos machos, para se
evitar problemas de intersexualidade. Esses cuidados devem ser ainda maiores
quando se utiliza machos naturalmente mochos.
A outra linha de atuação diz
respeito aos problemas sanitários introduzidos no criatório, muitos dos quais
inevitáveis. Para eles, deve-se estabelecer práticas de rotina adequadas, para
minimizar o seu impacto. Em alguns casos o correto é a erradicação da doença.
Em outros, o razoável são as práticas que minimizam os prejuízos e que permitam
um convívio aceitável com a doença.
Portanto, de uma forma
geral, esse assunto deve freqüentemente ser considerado, desde o início da
atividade e durante todo o seu transcorrer. Um momento de descuido pode colocar
abaixo anos de trabalho sério e cuidadoso.
4.4.
Reprodução
O desempenho reprodutivo determina, em grande parte, a quantidade a ser comercializada e é através dela que o melhoramento genético se efetiva. Da fertilidade, principalmente quando associada à prolificidade, depende o número de animais nascidos. Mas de uma boa habilidade materna depende o número e as condições em que os cabritos são desmamados.
Alguns procedimentos simples
podem ter um importante impacto em seu desempenho, como separação das crias
antes de entrarem na idade reprodutiva, para evitar cruzamentos indesejáveis,
escolha e manejo adequado dos reprodutores, suplementação alimentar
estratégica.
Práticas mais sofisticadas
permitem uma importante aceleração nos resultados, mas exigem uma grande
organização do rebanho e níveis de investimento mais elevados. Encontram-se
nessa situação a inseminação artificial e a transferência de embriões. A
primeira deve se popularizar mais rapidamente, ainda porque é fundamental para
programas de melhoramento mais consistentes. A segunda, ainda por um bom tempo,
deverá ficar restrita aos criatórios de elite, que comercializam reprodutores e
matrizes.
De qualquer forma, mais uma
vez o fundamental é definir quais as exigências e as potencialidades de cada
sistema, e determinar as práticas de manejo reprodutivo mais adequadas a cada
um.
4.5.
Manejo
As práticas de manejo são totalmente dependentes do sistema de criação adotado, e devem ser definidas em sua função. Um conceito que deve ficar claro é que a produção de carne deve ser desenvolvida em sistemas bem mais simples do que a produção de leite. Como a receita por matriz é substancialmente menor, o custo também deve ser reduzido ao mínimo, para que o investimento se viabilize. Esse aspecto leva a um outro ponto importante: a questão da escala, que deve ser bem maior na caprinocultura de corte do que na de leite.
As práticas de manejo
estarão intimamente associadas a esses conceitos, pois na produção de carne um
homem deverá ser responsável por um número de animais muito maior do que na
exploração de leite. Isso implica em encarar a atividade de uma maneira mais
massal e simplificar ao máximo as diversas operações. Logicamente, sistemas
mais intensivos terão uma maior demanda de mão de obra, mas isso deverá estar
vinculado a um aumento de receita compatível.
4.6.
Melhoramento genético
Esse certamente é um ponto crítico. Ele está intimamente ligado com todos os tópicos até aqui abordados. Da mesma forma que não existe o alimento perfeito, não existe a raça perfeita. Existe, sim, a raça, ou, talvez melhor, o tipo de animal mais adequado a cada sistema de produção. Porém, estranhamente, muitas vezes esse é o primeiro tema a ser considerado pelo interessado em ingressar na atividade. Na realidade, deveria ser um dos últimos, vindo depois de um levantamento cuidadoso das potencialidades e limitações de cada situação.
Segundo Gipson, “todos os
caprinos são caprinos de corte”, uma vez que pode ser abatido e consumido. E
esse conceito é compartilhado por muitos. Porém, quando se encara a
caprinocultura de corte por um prisma empresarial, dando-lhe o enfoque de uma
atividade especializada, existem muitas características desejáveis nos animais
para que se obtenha bons resultados.
Deve-se buscar animais com
um bom rendimento de carcaça, com uma proporção músculo:gordura:ossos adequada
e com uma boa distribuição do músculo na carcaça. Ou seja, é conveniente um
elevado rendimento de uma carcaça com um bom volume de músculo e a gordura
necessária para garantir sua suculência, conservação e sabor, com uma maior
proporção de deposição muscular nos cortes mais nobres.
Porém, isso não basta: não
se pode esquecer a qualidade dessa carne. Nesse item devem ser consideradas as
características visuais, sensoriais e nutricionais. Em outras palavras, o
consumidor deve olhar para a carne e se sentir atraído por ela, mas essa
manifestação favorável deve permanecer quando de seu consumo, com o atendimento
às suas expectativas em termos de paladar. Se ainda for uma carne com aspectos
nutricionais atraentes, como baixos níveis de colesterol, tanto melhor.
Mas não basta: é fundamental
um bom ritmo de crescimento, situação em que devem ser considerados os pesos e
os ganhos em peso para diferentes idades. Muitas vezes os menos avisados se
impressionam com reprodutores muito grandes e pesados, mas se esquecem que não
é esse o tipo de animal habitualmente consumido. Portanto, deve-se buscar
aquele animal que apresente melhor desempenho para o peso de abate exigido pelo
mercado em questão.
As características
reprodutivas também devem ser consideradas, buscando-se animais que não sejam
sazonais, com uma boa fertilidade e prolificidade, com um pequeno intervalo de
partos e cabras com uma boa habilidade materna, que permitam a obtenção de um
bom número de cabritos desmamados por cabra.
Em outras palavras, é
desejável que uma boa proporção das cabras conceba, mas que além disso seja
gerado um bom número de cabritos por parto e que esses nascimentos ocorram com
regularidade ao longo do ano. Mas não basta nascer: a cabra deve ser capaz de
cuidar bem de sua(s) cria(s), favorecendo o seu desmame em boas condições.
Se o intervalo de partos for
curto, melhor ainda: o número de partos e conseqüentemente de crias desmamadas
será maior ao longo da vida produtiva da cabra.
Outros aspectos que também
devem ser considerados são adaptabilidade e resistência a doenças. Os animais
devem se adaptar e produzir de maneira eficiente em diferentes condições
climáticas e de manejo, sendo pouco susceptíveis a problemas sanitários como
endoparasitoses.
Uma vez conhecidas as
características desejáveis nos animais destinados à produção de carne, deve-se
avaliar o material disponível na região ou para importação, para decidir com o
que trabalhar. Ao se estudar a necessidade de importação de animais deve-se
antes de tudo, comparar o desempenho da população existente e dos produtos de cruzamentos
com a raça importada
Hoje existe uma verdadeira
apologia aos caprinos Boer, raça de origem sul-africana que tem sido aclamada
pelo mundo como a grande produtora de carne dos caprinos. De fato, trata-se de
uma raça com excepcionais características: uma excelente carcaça, animais com
um bom desempenho, mas o que de fato se conhece dessa raça nos dias de hoje?
Embora o volume de informações disponíveis nos mais variados veículos de
comunicação seja enorme, aquelas de boa qualidade, provenientes de trabalhos de
pesquisa sérios e isentos, são raras. E mais: é difícil identificar dentre um
volume tão grande de informações no que de fato se pode confiar.
Uma informação equivocada
que é freqüentemente apresentada com relação à raça Boer é de que ela é a única
raça caprina especializada para corte. Ela pode até ser a melhor, mas
certamente não é a única. Dentre outras, pode-se mencionar a Kiko, a Miotônica,
a Spanish, a Savana e a própria Pigmy, além da Anglo Nubiana, considerada uma
raça de dupla aptidão por excelência.
Dentre as raças utilizadas
para produção de carne caprino, no mundo, podem ser citadas:
¨ Boer – A raça Boer tem esse nome por ser a
palavra alemã que representa carne. Provavelmente é derivada de cabras indígenas
africanas com possível contribuição de raças indianas e européias, no século
passado. Os caprinos Boer “melhorados” surgiram no início deste século, quando
um grupo de criadores iniciou a criação de um caprino tipo carne com boa
conformação, alta taxa de crescimento e fertilidade, pelo branco curto e
marcações vermelhas na cabeça e peito. Desde 1970 esta raça foi incorporada ao
Esquema Nacional de Teste de Desempenho de Ovinos e Caprinos de Corte da África
do Sul, o que faz com que seja a única raça caprina envolvida efetivamente em
teste de desempenho para produção de carne. São animais grandes, com altura de
¨ Kiko – Esta raça australiana de corte foi
desenvolvida em duas décadas de seleção intensiva. Foi iniciada pelo cruzamento
de cabras australianas selvagens (já descritas) com bodes de raças leiteiras
(especialmente Anglo Nubiano), com a primeira geração de progênie fêmea sendo
selecionada para conformação geral, vigor, temperamento, prolificidade, taxa de
crescimento e, especialmente, tamanho e, então, retrocruzadas com bodes
leiteiros. A palavra Maori para carne é “kiko”.
¨ Miotônica ou Tennessee – São animais de
tamanho médio, com pelagem branca, preta ou
¨ Spanish – São caprinos com origem não
necessariamente espanhola ou mexicana, encontrados inicialmente no Texas, vêm
de uma herança mista, havendo pouca padronização na aparência ou desempenho.
Geralmente apresentam orelhas curtas.
¨ Australiana e Neo-zelandeza selvagem – Não
são genuinamente selvagens, mas sim animais domésticos que fugiram ou foram
libertados. Se intercruzaram amplamente com a maioria das raças, formando um
grupo heterogêneo. Apresentam baixa produtividade nas condições em que vivem,
mas têm considerável potencial para maiores produções em ambiente mais
favorável. Tem sua importância pela sua disponibilidade e número, sendo
abatidos e exportados para diversos países.
¨ Pigmy – É uma raça originária das West
African Dwarf e apresentam principalmente uma coloração denominada Agouti, com
marcas dorsais e faciais escuras. São animais pequenos, pesando de
¨ Anglo Nubiana – É considerada uma raça de
dupla aptidão (carne e leite). Esta raça foi desenvolvida na Inglaterra a
partir de raças indianas, africanas e européias leiteiras. São animais grandes,
onde as fêmeas podem chegar a
Contudo, não há muitos resultados disponíveis na literatura de resultados de desempenho, no Brasil, da maioria destas raças. Na tabela abaixo podem ser observados alguns resultados das mesmas.
Raças caprinas usadas ou propostas para produção de carne e suas características de produção.
Caract./Raças |
Boer |
Miotônica |
Nubiana |
Pigmy |
Spanish |
|
Sistema de produção |
Intensivo |
Extensivo |
Intensivo |
Semi-intensivo |
Extensivo |
|
Parasitos internos |
“susceptível” |
“resistente” |
“susceptível” |
“resistente” |
“susceptível” |
|
Sazonalidade |
Sim |
Não |
Sim |
Não |
Sim |
|
Prolificidade |
200% |
187% |
160% |
85% |
171% |
|
GMD pré-desmama (g) |
130-200 |
117 |
114 |
50 |
115 |
|
GMD pós-desmama (g) |
200 |
121 |
90 |
- |
108 |
Fonte:
Gipson (1996).
Em termos de Brasil, especial atenção deve ser dada às raças nativas, como Moxotó e Canindé, e a grande maioria do rebanho nordestino, que não apresenta uma padronização, mas apresenta uma série de características comuns e que constituem o grande efetivo nacional.
5. Considerações Finais
Se as considerações finais fossem baseadas na situação atual da caprinocultura de corte nacional, nos índices de produtividade alcançados pelos produtores e na adequação dos sistemas às diferentes realidades, o quadro seria desanimador. A outra alternativa é considerar o potencial do Brasil para o desenvolvimento dessa atividade, o tamanho do rebanho nacional e as perspectivas de mercado nacional e mundial. A opção mais adequada parece ser reconhecer as limitações atuais da atividade, tanto no campo tecnológico quanto de organização, para determinar onde há necessidade de maior atenção e investimento, seja por parte dos produtores, seja por parte dos fornecedores de insumos, consumidores e governo. Se isto for feito de maneira séria e organizada, o Brasil poderá, em breve, ser o mais importante país no cenário da caprinocultura de corte mundial. Se isso não for feito, se prevalecer o interesse de uns poucos, de grandes lucros hoje e nenhuma preocupação com o amanhã, a caprinocultura será mais uma atividade mal explorada, onde poucos ganharão muito e a maioria esmagadora amargará repetidos prejuízos, será mais um vazio no cenário nacional...
6. Referências Bibliográficas
FAO. Disponível em: http://apps.fao.org Acesso em 15 fev. 2001.
IGBE. Disponível em http://www.sidra.ibge.gov.br Acesso em 15 de fev. 2001.
GIPSON, T. A. Breed Capabilities and Selection for Meat Production.
Disponível em http://www.vsu.edu. Acesso em 20 de nov. 2000
RIBEIRO, S. D. A. R. Caprinocultura: criação racional de caprinos. São Paulo: Nobel, 1998. 318 p.
ASSOCIAÇÃO PAULISTA DOS
CRIADORES DE CAPRINOS
Informações complementares.
Fonte:
curso de caprinocultura de corte ministrado pelo Dr. Silvio Doria.
O confinamento na caprinocultura de corte é viável na
fase de terminação.
Dimensionamento:
|
|
Área (m2/animal) |
N° animais/baia |
|
Reprodutor |
4,0 |
1 |
|
Fêmeas
adultas |
|
|
|
|
0,50 |
|
|
|
0,75 |
|
|
|
1,0 |
|
|
|
1,5 |
|
|
Maternidade |
4,0 |
|
Módulo mínimo: 05 há úteis – 200 fêmeas (desde que haja
um bom manejo).
Reprodução:
Proporção macho:fêmea para monta controlada ® 1:70
para
monta a campo ® 1:35
CAPRITEC – site:
www.capritec.com.br
Prof. Dr. Silvio Doria de
Almeida Ribeiro – E-mail: silvio@capritec.com.br
Telefone: (19) 3651-5531
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