Você que veio até nós para aprender a criar cabras, Parabéns!

A Cabra é um animal nobre e muito útil ao homen.

Graças a várias espécies caprinas, muitas regiões do mundo são habitadas. Sem a presença desses animais, em alguns lugares a vida humana seria impossível e, indiscutivelmente, muito mais difícil do que é. Porém, não é baseado no que vemos em regiões sofridas do nosso planeta que devemos criá-las. E saiba que, apesar de tudo, um animal tem que receber para poder dar. Não há ser produtivo que viva de brisa.

Faremos rápida explanação sobre o animal. Aqueles que quiserem obter mais detalhes, existe vasta literatura, livros e revistas em vários idiomas e também nossos cursos.

A Cabra é daninha?

Por ser um animal muito ativo e inteligente, a cabra sabe procurar o que lhe interessa, tantoem matéria de paladar como daquilo que sente falta. Sua alimentação deve ser rica em fibras, pois ela adora a vegetação arbustiva, com grande preferencia por folhas largas. Quando criada em liberdade pode destruir o pomar, pois não apenas come as folhas como também a casca das árvores, que lhe é extremamente palatável. Porém, se esse hábito alimentar for bem usado, o criador pode tirar nítidas vantagens dele.

O leite é forte?

“ Forte” muitas vezes é usado como termo pejorativo.

O leite puro da cabra é quase idêntico ao de vaca, em termos percentuais e de paladar. Mau odor e mau sabor ocorrem devido à falta de higiene na ordenha: mãos sujas do ordenhador, mau manuseio do animal ou pela presença do bode próximo as cabras no momento da ordenha.

Evidencia-se, pela tabela, que os constituintes do leite são basicamente os mesmos as espécies apresentadas, variando ligeiramente a quantidade de cada um, ficando as principais diferenças na estrutura química desses componentes. Quanto a proteina (α S-1 Caseina), a fração considerada causadora de alergia ao leite de vaca, existe em quantidades muito pequenas no leite de cabra, e sua estrutura molecular e antigênica é diferente no leite das duas espécies. Com relação às vitaminas A, B12, C e D, observa-se um teor ligeiramente superior no leite de cabra, até mesmo maior do que no leite humano. É importante considerar, ainda, que há diversos fatores que influenciam na composição do leite, como raça, estágio de lactação, alimentação e o próprio indivíduo.

Composição do leite caprino, ovino, bovino e humano

Componente

Caprino

Ovino

Bovino

Humano

Gordura %

3,80

7,62

3,67

3,67-4,70

Sólidos não gordurosos %

8,68

10,33

9,02

8,90

Lactose %

4,08

3,70

4,78

6,92

Proteína %

2,90

6,21

3,23

1,10

Caseina %

2,47

5,16

2,63

0,40

Proteinas do Soro %

0,43

0,81

0,60

0,70

Cinzas totais %

0,79

0,90

0,73

0,31

Cálcio %

0,194

0,160

0,184

0,042

Fósforo %

0,270

0,145

0,235

0,060

Cloro %

0,154

0,270

0,105

0,060

Vitamina A (UI/g de gordura)

39

25

21

32

Vitamina B1 mg/100ml

68

7

45

17

Vitamina B12 mg/100ml

210

36

159

26

Vitamina C mg/100ml

20

43

2

3,60

Vitamina D UI/g de gordura

0,70

ND

0,70

0,27

Energia Cal/100ml

70

ND

69

68

Fonte: Adaptação de JANDAL (1996) e RIBEIRO et al. (1997)

 

O Animal em Si

A cabra é um ruminante de pequena estatura e seu peso adulto oscila entre 45 a 70Kg. Normalmente, as raças leiteiras, podem produzir de 2 a 5 kg de leite por dia, num período médio de lactação de 300 dias. O Bode tem peso bem mais elevado, não sendo raro atingir 100 Kg. É um animal forte e no seu período de reprodução o odor característico – Hircino – se torna bastante pronunciado.

 

Alguns aspectos Produtivos e de Manejo

 

Primeiramente definir pela caprinocultura leiteira ou de corte e o sistema de criação: Extensivo (exclusivamente a pasto) indicado para a caprinocultura de corte; Semi-extensivo (os animais pastoreiam parte do dia e recebem suplementação de volumoso – feno, capim – e concentrado – ração – no cocho) e o Intensivo (animais recebem toda a alimentação no cocho. No Estado de São Paulo a maioria dos criadores de cabras leiteiras criam seus animais confinados, pois possibilita maior controle de endo e ecto parasitas, controle da qualidade e quantidade do alimento oferecido, além de outros benefícios.

 

            Escolha da raça:

ð    Saanen: São animais brancos, altivos, considerados ótimos produtores de leite e dão cabritos de bom tamanho.

ð    Alpina: Coloridas de castanho e negro, um pouco menores que as anteriores, mais rústicas e também boas produtoras.

ð    Toggenburg: Talvez uma das raças mais antigas entre nós. Quem não se recorda, na velha São Paulo, do bando de cabras levadas pelas ruas... e a venda de leite em copos. A grande maioria dos rebanhos era constituída por animais dessa raça, de pelagem castanho acinzentada, machos peludos e faixas brancas na cara.

ð    Anglo Nubiana: Anglo, porque foi na Inglaterra que aperfeiçoaram a raça nubiana. Belas cabras, de bonito colorido, orelhas grandes, antigamente chamadas “Zebu”.

ð    Boer: caprino tipo carne com boa conformação,, alta taxa de crescimento e fertilidade, pêlo curto e marcações vermelhas na cabeça e peito. São animais fortes 82 a 90cm de altura para machos com pesos que variam entre 80 e 90kg e fêmeas que medem de 65 a 80cm de altura e pesam entre 50 e 70kg. Sua pelagem é branca com cabeça e peito vermelhos, têm orelhas pendentes e chifres.

 

            Alimentação: “A metade da raça se faz pela boca.” (antigo provérbio árabe). As cabras são animais herbívoros, sendo grandes consumidores e transformadores de celulose. Portanto, os alimentos se baseiam principalmente em forragens e grãos. Os caprinos, como todos os outros animais necessitam de minerais ou sais minerais em sua alimentação, em maior ou menor quantidade dependendo de suas necessidades. A falta, o excesso ou desequilíbrio das quantidades de sais minerais podem provocar distúrbios e até a morte dos caprinos. Existem misturas minerais especiais para caprinos e devem ser oferecidas em cochos separados daquele para forragens. A água é um elemento indispensável. A cabra consome, em média, 5 a 6 litros de água por dia. Portanto, deve ser de boa qualidade e estar sempre fresca. Algumas regras práticas para alimentação:

-       Não há inconveniente de oferecer verde recém cortado mas pode ser fornecido murcho, desde que não “esquente”, isto é, não esteja fermentado, para evitar problemas intestinais e diarréia.

-       Administrar sal ou misturar minerais em cochos, sempre à disposição dos animais.

-       Utilizar bebedouros sempre limpos.

-       Limpar os comedouros todos os dias para evitar que permaneça ração estragada.

-       Todas as forragens e rações devem ser isentas de terra, impurezas e de ervas daninhas, que possam prejudicar os animais.

-       Administrar as rações ou alimentação de acordo com a produção.

-       Dar uma alimentação variada, pois representa um estimulante para o apetite e secreções digestivas.

-       Dar as rações com regularidade, porque é interessante para o funcionamento normal do aparelho digestivo e a saúde do animal.

-       Evitar a passagem brusca de um regime alimentar para outro, devendo a substituição ser feita gradativamente, para os animais irem se acostumando com a nova alimentação.

 

            É aconselhável, todas as manhãs, tomar os seguintes procedimentos:


-          Examinar todos os animais para verificar o estado de saúde e desenvolvimento, para isolar os doentes.

-          Verificar as condições de higiene e limpeza na criação, observando se estão, não só limpas mas também secas, para evitar que os animais se sujem ou se contaminem.

 

 

-          Verificar o estado de conservação das instalações e fazer os consertos ou reparos necessários.

-          Limpar bem todos os comedouros e só enchê-los com ração até a  metade, ou ¾ para evitar derramamentos e desperdícios.

-          Em casos especiais passar nova revista ao meio dia.


 

            Forrageiras são plantas destinadas à alimentação dos animais. São reunidas em dois grandes grupos: as gramíneas e as leguminosas.

Gramíneas: conhecidas como “capins”. São consideradas pobres em proteínas. Podemos citar: capim Jaraguá, Kikuio, Gordura, Colonião, Pangola, Imperial, elefante, etc., indicados para a alimentação de caprinos.

Leguminosas: caracterizam-se por serem em geral ricas em proteínas, com teores bem mais elevados do que os das gramíneas. Por isso elas se complementam. Podemos citar: Alfafa, Barbadinho, Algaroba, Feijão de Porco, Mucuna Preta, Guandu, Soja Perene, etc. A melhor época para o seu emprego, na alimentação dos animais, é antes da floração.

 

            Instalações: representam uma parcela significativa dos investimentos na caprinocultura leiteira, e de seu adequado planejamento e concepção depende o futuro da criação. É importante considerar que as instalações não evoluem ao longo do tempo, como o rebanho, ao contrário, se depreciam. Para um planejamento adequado, é importante saber quais os principais objetivos destas:


·       abrigar adequadamente os animais, fornecendo-lhes conforto e segurança;

·       ser prática, funcional e de fácil limpeza;

·       ser resistente e duradoura;

·       facilitar a produção higiênica do leite;

·       conter adequadamente os animais;

·       ser arejada, mas protegida de ventos e umidade;

·       proteger contra a variação de clima;

·       espaçosas e racionalmente divididas;

·       estar em local de fácil acesso, com facilidade de água e energia elétrica;

·       ser de baixo custo de construção e manutenção.


 

 

            Dimensionamento:

 

Categoria

Área (m2/animal)

N° animal/baia

Reprodutor

4,0

1

Fêmeas adultas

1,5 a 2,0

10 a 15

0 a 3 meses

0,50

30 a 40

3 a 6 meses

0,75

20 a 30

6 a 9 meses

1,0

15 a 20

9 a 12 meses

1,5

10 a 15

Maternidade

4,0

1 a 3

 

            Os bebedouros (confeccionados com material de fácil limpeza e compatível com o número de animais que vai servir) devem localizar-se em local de fácil acesso para os animais e para o tratador, evitando-se que fiquem próximos ao cocho de volumoso, para que se conservem mais limpos, e do cocho de mineral, tanto para não sujar a água como para não umedecer o sal. Outra alternativa é a colocação dos bebedouros do lado de fora das baias.

            Para facilitar a mão-de-obra, os cochos devem ser colocados do lado de fora das baias, em uma posição de fácil acesso para os animais, mas que não permita que eles pisem, entrem ou defequem dentro. Ao dimensionar os cochos, devemos considerar que todos os animais da baia devem ter acesso ao mesmo tempo, para que se alimentem adequadamente e para minimizar brigas. As dimensões do cocho devem ser definidas em função da categoria animal.

 

Categoria

Comprimento de cocho em metros

Animais dos 3 aos 6 meses

0,20 a 0,30

Animais dos 6 aos 12 meses

0,25 a 0,35

Cabras adultas

0,30 a 0,40

Reprodutores

0,5

 

            Reprodução: A puberdade marca a entrada dos animais na vida reprodutiva, mas é conceituada de duas formas:

-       Puberdade Fisiológica: é a fase na qual as fêmeas ovulam e são capazes de serem fecundadas e os machos produzem espermatozóides viáveis e são capazes de cobrir, mas ainda não têm o desenvolvimento corporal suficiente podendo comprometer o seu desenvolvimento futuro. Isso ocorre quando os animais atingem 40 a 50% do peso adulto médio de sua raça (20 a 25 kg), aos 3 ou 4 meses de idade, determinando que os animais sejam separados por sexo no máximo aos 3 meses de idade para evitar coberturas indesejáveis.

 

 

-       Puberdade Zootécnica: os animais estão aptos a entrar na vida reprodutiva ocorrendo quando atingem 60 a 70% do peso adulto médio, entre os 8 meses de idade.

            O número de fêmeas acasaladas por um reprodutor depende do sistema de cobertura. Além disso, só se deve colocar um número elevado de fêmeas com um único reprodutor, se ele for comprovadamente melhorador, sob pena de obter crias inferiores às mães.

·       Monta a campo: machos e fêmeas permanecem juntos, respeitando-se a proporção de um bode adulto, sexualmente maduro, para 25 cabras, pois em um mesmo cio ele cobre várias vezes a mesma fêmea.

·       Monta controlada: a cabra em cio é levada ao reprodutor, sendo retirada após a única cobertura. A proporção ideal é de um reprodutor para 35 fêmeas, mas esse número pode ser superior (40 a 70), pois o desgaste do reprodutor é menor do que no sistema anterior.

·       Inseminação artificial com sêmen fresco: com esta técnica um macho pode padrear 200 fêmeas ou mais.

·       Inseminação artificial com sêmen congelado: com esta técnica o número de fêmeas por reprodutor é superior e difícil de ser determinado, pois uma única ejaculação pode produzir de 10 a 40 doses de sêmen, dependendo da qualidade do mesmo e da quantidade de espermatozóides utilizada por dose, podendo ser feitas até três coletas de sêmen por semana, durante os meses de verão e outono.

            A cabra é considerada poliéstrica estacional, pois apresenta vários ciclos estrais em uma determinada época do ano (final do verão e outono). É também chamada de animal de dias curtos, porque o que induz a atividade reprodutiva é a diminuição do número de horas de luz do dia, o fotoperíodo.

-       Primeira fase: proestro.

-       Segunda fase: estro, que corresponde ao cio. A produção de estrógeno determina mudanças no seu comportamento, ficando mais nervosa e passando a aceitar a monta. É a fase de maior interesse, com duração de 12 a 96 horas. É necessário conhecer bem os sinais do cio para evitar perdas econômicas, já que um novo cio ocorrerá após 21 dias, em média.

-       As fases que seguem são o metaestro e o diestro, e se caracterizam pela preparação para a gestação. Caso o animal não fique gestante, é iniciada uma nova fase de proestro, completando o ciclo estral.

            A duração média da gestação em caprinos é de 150 dias, variando entre 136 e 166 dias.

            No período da gestação, alguns cuidados com a fêmeas gestante devem ser tomados:


·         Evitar trocas de lotes para não causar brigas;

·         Cuidado com portões estreitos;

·         Evitar vermifugações e qualquer tipo de medicação, principalmente nos primeiros e últimos 45 dias de gestação;

·         Cuidado especial com a alimentação e com sua condição corporal;

·         O local do parto deve ser espaçoso, com uma cama limpa, seca e macia, com temperatura adequada e o mais tranqüilo possível.


 

            Cuidados com o recém-nascido: Os problemas mais comuns são infecção por Escherichia coli, pneumonia (principalmente quando ele é exposto ao frio e à umidade), diarréia e fome. Por isso é fundamental alojar a cria em instalação adequada, ventilada, mas protegida das correntes de ar, com temperatura confortável e protegida do sol direto, utilizando-se uma fonte de calor, principalmente no inverno e à noite.

 

Após a ruptura natural do umbigo, ou de ter sido cortado (3 a 5cm do ventre) deve ser feito um tratamento com iodo (a 5 ou 10% - preferencialmente) o mais rápido possível. O iodo deve ser colocado num frasco de boca larga, apoiado firmemente no ventre da cria, que é virada de tal modo que o líquido fique em contato com toda a extensão do cordão umbilical por aproximadamente 40 segundos, para que ocorra boa penetração do produto e adequada cauterização. Após 7 – 10 dias o cordão seca e desprende-se. A próxima etapa é a identificação do animal, pesagem e verificação de características como:


·         Pelagem;

·         Presença de brincos;

·         Defeitos congênitos;

·         Olhos bem abertos e sem embaçamento;

·         Hermafroditismo;

·         Tetas extras, mal formadas ou bífidas;

·         Mono ou criptorquidismo (relacionados ao testículo);

·         Condições das patas e facilidade para ficar de pé;

·         Além de qualquer outra anomalia que se apresente, sendo essas informações anotadas em ficha própria.


            Tudo que possa prejudicar seu desenvolvimento ou desempenho futuro deve ser avaliado, pois caso seja recomendado a eliminação do animal, que seja feito o quanto antes para minimizar prejuízos.

            Para efeito de registro genealógico, a identificação utilizada é a tatuagem na orelha que deve ser feita entre 30 a 60 dias de idade (ver Formação do Rebanho).

           

O colostro é o responsável pela transferência de imunidade da mãe a diversas enfermidades, através das imunoglobulinas, além do alto valor nutritivo e efeito laxativo importante para eliminação do mecônio (secreção de coloração amarela que é acumulada no intestino da cria durante a gestação). Portanto, a ingestão do colostro nas seis primeiras horas de vida é fundamental para a sobrevivência e bom desenvolvimento da cria, pois após 36 horas a absorção das imunoglobulinas praticamente cessa.

           

Manejo sanitário: A saúde dos animais está diretamente relacionada com o estado nutricional e com as condições de moradia e higiene. Algumas medidas de controle:


·         Limpeza e desinfecção das instalações – varrer diariamente, tirar a sobra de alimento do cocho, vassoura de fogo ou desinfetante químico uma vez ao ano ou quando necessário;

·         Quarentena dos animais adquiridos;

·         Isolamento dos animais doentes;

·         Exames laboratoriais periódicos sob orientação de médico veterinário;

·         Separação dos animais em baias por faixa etária;

·         Evitar a superlotação, respeitando a capacidade máxima das instalações;

·         Cuidados na ordenha (prevenção de mastite);

·         Estabelecer uma linha de ordenha – ordenhar primeiro as cabras de primeira lactação, em seguida as cabras mais velhas que nunca tiveram mastite, na seqüência, as cabras que já tiveram mastite e estão curadas e por último virão as cabras doentes, as artríticas e/ou em tratamento (desprezar o leite deste último lote).

·         Evitar morcegos, roedores, moscas e gatos;

·         Vacinações, quando e se necessárias;

·         Controle de verminoses através de exames de fezes periódicos para verificar o momento exato da vermifugação do rebanho;

·         Agulhas e seringas deverão ser fervidas ou descartadas. Nunca utilizar a mesma agulha para dois ou mais animais;

·         Cuidado com o tatuador – os números deverão ser fervidos ou imersos em desinfetantes por, no mínimo, 20 minutos antes de ser utilizado em outro animal;


 

Formação do rebanho: A escolha da(s) raça(s) que formará o plantel, bem como o tipo de fêmea a ser adquirida depende basicamente do grau de investimento inicial, da finalidade que o rebanho se propõe e da mão-de-obra.

            Os reprodutores deverão ser PO (puro de origem) da raça de sua escolha: Saanen, Alpina, Toggenburg, Anglo-Nubiana ou Boer. As matrizes igualmente poderão ser PO, requerendo, portanto, maiores cuidados, ou mestiças em diferentes graus de sangue ou ainda aquelas denominadas “pé duro” ou “sem raça definida”, rústicas, porém de baixa produção.

            Possuir um rebanho de animais registrados genealogicamente é sempre muito interessante, pois o registro genealógico é fundamental para o apuro das raças, refletindo diretamente na produção e qualidade do plantel, além de agregar valor ao animal. No Estado de São Paulo, este registro é atribuição exclusiva da CAPRIPAULO, subdelegada pela ABCC – Associação Brasileira dos Criadores de Caprinos, localizada em Recife e portanto segue o seu regulamento que pode ser adquirido uma cópia na nossa sede localizada a Av. Francisco Matarazzo, 455 – Parque da Água Branca – Prédio do Fazendeiro, sala 18 – São Paulo, SP CEP 05001-900 – tel.: (11) 3672-8980.

 

COMO ASSOCIAR-SE À CAPRIPAULO

Para associar-se à CAPRIPAULO – Associação Paulista dos Criadores de Caprinos há a necessidade de preencher a Proposta de Sócio e efetuar o pagamento da jóia no valor de ½ (meio) salário mínimo. Após a aceitação, o Associado contribui anualmente com o valor de R$600,00 parcelado em 4 vezes. Esta cobrança é feita através de carta circular e os pagamentos poderão ser efetuados das seguintes formas:

ð      Envio de cheque nominal e cruzado à CAPRIPAULO;

ð      Pessoalmente na secretaria da Associação (horário comercial);

ð      Depósito bancário (Banco Bradesco, Ag. 301-8, C/C 107798-8, favorecido CAPRIPAULO). Sendo esta forma de pagamento adotada, solicitamos o envio do comprovante de depósito devidamente identificado, via fax, através do telefone: (11) 3672-8980.

Quando o associado tem interesse em registrar os animais é necessário o preenchimento da Proposta de Afixo e Sufixo, solicitado pela ABCC, cujo valor é de R$150,00 (cento e cinqüenta reais). Este formulário é composto por 3 vias que devem ser totalmente preenchidas e assinadas individualmente. Por se tratar de documento numerado e controlado pela ABCC, a emissão deste só é feita mediante pagamento. Lembramos que as 3 opções de afixo ou sufixo devem ser relacionadas em ordem de preferência, porque a ABCC faz um levantamento a nível nacional para verificar se não há outra propriedade com o nome escolhido. Já existindo, ele analisará a segunda opção e assim por diante.

Após a homologação de uma das opções, todos os animais nascidos em sua propriedade receberão o afixo (nome que antecede o nome do animal. Ex.: AF Vitória Bagre) ou o sufixo (nome posterior ao nome do animal. Ex.: Bacos da Granja União).

Tendo o criador feito as comunicações dos eventos (coberturas, nascimentos, etc), conforme quadro a seguir, a CAPRIPAULO emitirá um documento inicial, o RGN (Certificado Provisório de Registro de Nascimento), do qual constarão informações sobre o animal, tais como: raça, grau de sangue, ascendência, etc.

Possuindo RGN, poderá ser conferido ao animal o RGD (Certificado de Registro Genealógico Definitivo), se fêmea que já pariu ou macho que tenha completado um ano de idade. Para isso, é necessário que seja inspecionado por técnico credenciado e, obviamente, não apresente defeitos. Nessa ocasião, o técnico, e só ele tatuará um sinete na cauda do animal objeto do registro.

As tatuagens nas orelhas (não necessariamente por técnico credenciado), contém informações específicas sobre cada animal.

Ao inscrever-se no SRGC (Serviço de Registro Genealógico de Caprinos), o criador receberá um número de três algarismos, que é exclusivo de seu criatório.

Todos os animais ali nascidos, na orelha direita (OD) terão tatuados (TOD) cinco algarismos, sendo os dois primeiros identificadores do Estado em que se localiza o criatório e, os três últimos, o seu número de ordem no criatório. Assim, sendo a TOE 93030, significa que o animal nasceu em 1993 e foi o trigésimo nascimento do ano no criatório de número 999, o do exemplo anterior.

Não esqueça que, devendo o criador comunicar todas as ocorrências no plantel, é conveniente que tenha uma agenda ou caderneta de campo, onde irá anotar coberturas, nascimentos, mortes, abates, vendas, empréstimos, etc.

As comunicações à CAPRIPAULO deverão ser feitas em impressos oficiais e entregues dentro dos prazos estipulados pelo regulamento do SRG, como mostra o quadro a seguir:

 

                        Para todas as comunicações há um prazo a ser cumprido:

Comunicação de

Prazos

Morte

Até 30 dias após o acontecimento.

Transferência

Logo após a concretização do ato.

Cobertura a Campo

Até o último dia do mês seguinte à entrada do reprodutor no lote de fêmeas. Válido por 3 meses. Renová-lo após esse período.

Cobertura Controlada

Até o último dia do mês seguinte ao da data do fato.

Inseminação Artificial e TE

Até o último dia do mês seguinte ao da data do fato.

Nascimento

Até o último dia do terceiro mês após a ocorrência do fato.

 

Inseminação Artificial e Transferência de Embrião: Além da comunicação da I.A e TE , deve ser enviada à Capripaulo a nota fiscal da aquisição tanto do semen quanto do embrião junto com a cópia da genealogia dos reprodutores e também matrizes doadoras no caso da TE e ficha devidamente preenchida pelo veterinário responsável dentro do prazo acima estipulado.

-          Lembramos que todo sêmen e embrião devem ser adquiridos de entidades credenciadas pelo Ministério da Agricultura.

-          No caso de Transferencia de Embrião, todo produto deve ser testado, ou seja, deve ser feito algum teste para comprovação dos pais (tipagem sangüínea ou DNA)

 

Aquisição de Animais de outros Estados: Toda compra de animais registrados exige que o vendedor envie uma comunicação de transferência juntamente com os documentos originais para a Associação. No caso de aquisição de animais de outros estados isso não é diferente, no entanto, quando esse animal possui apenas registro provisório é necessário anexar a esse documento original uma cópia do registro definitivo dos pais para que no momento do registro definitivo a genealogia esteja completa  e o registro definitivo possa ser emitido.

 

 

Para maiores Informações entre em contato pelo telefone 11 3672-8980 em horário comercial ou faça-nos uma visita.

 

 

 

Seja um Caprinocultor, não um cabriteiro!

 

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